Ela estava de coração partido. Ele estava de coração cansado. Ela queria diversão. Ele queria aventura. Se avistaram a uma longa distância. Tão longa, que mal conseguiam se ver. Mas se enxergavam por inteiro.
Na saudade, alimentavam a presença diária, mesmo tão distantes. Pisando pé ante pé, sem perceber, foram diminuindo aquilo que os mantinha tão afastados.
Quando se fez a presença, foram surpreendidos. Ela esperava que fosse uma história pra contar em mesa de bar. Ele pensava ser uma história pra contar aos amigos sussurrando pra ninguém mais ouvir. Ela acreditava que depois daquele encontro, iriam seguir seus rumos. Separadamente. Ele pensava que aquilo seria apenas desejo saciado. Mas depois que ficaram lado a lado, já não sabiam mais dizer o que era. Foi preciso um tempo pra entender o que havia acontecido. Mas não muito tempo.
Ela querendo sentir de novo o peso do seu corpo sobre o dela. Ele com a lembrança dela adormecendo no seu peito. E logo, puderam perceber que o desejo latente havia se tornado vontade explícita. E ainda assim, explicitamente doce. Ela e ele, ele e ela, vice-versa, tanto faz. Pra eles não fazia diferença. A reciprocidade morava dentro de cada um.
Ela que pensava ser um homem de saia, e ele que era um não-romântico convicto, agora estavam entregues. À mercê do destino.
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